Mas, a despeito do enorme avanço na tecnologia dos dispositivos de acesso à informação, um gargalo ainda se faz presente nos sistemas de informação atuais: nossa dificuldade em lidarmos com a complexidade da lógica das aplicações, e com a cada vez mais premente necessidade de flexibilidade e rapidez de adaptação dos sistemas que apoiam nossas vidas. Em um mundo super conectado e dependente de informação, a incapacidade de se adaptar às mudanças nas condições de forma quase imediata pode representar a diferença entre o sucesso e o fracasso, entre um sistema que realmente facilita a nossa vida para um que se coloca como uma barreira para a nossa evolução.
O começo de tudo....
Muito antes do advento dos sistemas de informação computadorizados as empresas já operavam seus negócios através de processos, executados por pessoas. Estes processos e suas tarefas eram documentados em volumosos manuais, e cada novo colaborador demandava um enorme esforço de treinamento para dominar toda a lógica de negócio que estava contida nestes processos. Por suas características, os processos das empresas se tornaram candidatos naturais para automatização em sistemas informatizados e, assim, as tarefas e a sua sequência de execução passaram a ser traduzidas em códigos de programas.Os ganhos de produtividade advindos da automatização de tarefas foram enormes, e a capacidade de processar enormes volumes de informação com um consumo de recursos extremamente reduzido deu origem à sociedade de informação em massa que temos hoje. Muitos serviços que fazem parte de nossas vidas, como bancos e telefonia, seriam impensáveis sem a automatização maciça ocorrida no final do Século passado.
Mas toda esta automatização trouxe consigo um efeito colateral inesperado: toda a lógica e inteligência dos negócios foi, aos poucos, sendo transferida das pessoas que executavam as tarefas para os sistemas automatizados e, por consequência, perdida para os olhos do negócio. A cada nova geração de colaboradores, a cada nova geração de aplicações, mais fundo a lógica do negócio foi sendo enterrada nos códigos dos programas e se tornando invisível, até se tornar uma entidade em si, o "sistema", culpado por todas as nossas mazelas e senhor de nossas vidas (quem não se deparou com a infame resposta de um atendente, dizendo que "o sistema não permite isso, senhor(a)" que atire a primeira pedra).
Nos últimos anos temos visto um enorme esforço das empresas para readquirir o controle sobre os seus negócios. A velocidade de mudança e a adaptabilidade exigida das empresas, hoje, não permite mais que esta situação seja aceita. Não é possível que, ao ser questionado a respeito de uma decisão de negócios, como uma aprovação de crédito ou de um empréstimo, um colaborador tenha que recorrer ao "sistema" para descobrir qual foi a lógica utilizada. Não é aceitável que uma modificação em uma função ou em um produto suportado por um sistema produza efeitos colaterais em outras partes do sistema, afetando as operações da empresa de forma significativa (vejam os índices de reclamações nos órgãos de defesa em relação a cobrança de taxas e tarifas bancárias e de empresas de telefonia).
No próximo artigo vamos discutir as diversas estratégias que estão sendo adotadas pelas empresas para enfrentar esta situação. Enquanto isto, compartilhe suas experiências e questões em relação a este assunto. Participe!